8 de março - Bem mais que uma data, é um marco na vida das mulheres!

Sempre fui uma menina muito curiosa e inquieta e isso não é diferente na fase adulta! Quando iniciei meu segundo mestrado, decidi que estudaria um tema desafiador e atual, decidi pesquisar sobre o Empreendedorismo Feminino. Muito me inquietava saber qual o nível de estudo e conhecimento de gestão das mulheres que abrem seus negócios. Assim, pesquisei sobre o tema Empreendedorismo e afunilei para o empreendedorismo feminino.

 

Vcs sabiam que nos últimos anos, o número de mulheres que começaram a empreender cresceu muito, tanto no Brasil como em outros países? Atualmente, cerca de 30% de todos os negócios privados do mundo são operados ou têm como idealizador uma mulher.

 

O Brasil é um dos países com maior índice de empreendedorismo no mundo. 38 % dos adultos brasileiros são empreendedores ou estão envolvidos em alguma atividade empreendedora. Em 2001 no Brasil havia uma enorme discrepância no empreendedorismo quanto ao gênero: 71% do total eram de empreendedores do sexo masculino, enquanto apenas 29% eram do sexo feminino. Contudo, com o passar dos anos, nota-se ligeira mudança nestes valores, quando, a partir de 2005, os percentuais de empreendedores por gênero no Brasil equipararam-se. Assim, as mulheres têm tido papel fundamental nos elevados números econômicos do Brasil nos últimos anos.

 

Quando relembramos a história da humanidade, identificamos facilmente que homens e mulheres sempre desempenharam papéis diferentes na sociedade. As mulheres durante muitos séculos foram consideradas submissas e eram propriedade do pai ou do marido. Até o século passado nós éramos como adornos, usadas pelos homens como objetos, sem nenhum poder de opinião ou decisão. Para a sociedade as mulheres eram só donas de casa, mães, esposas. Não tínhamos o direito de ter sonhos, nem ambições. Muitas tinham que ir para longe de casa para obter um futuro melhor, e outras tinham que enfrentar as manhas de uma sociedade machista e retrograda. Mas, no fundo o que todas as mulheres queriam mesmo era liberdade e somente as mais ousadas e lutadoras conseguiam realizar seus sonhos!

 

E quando foi que a história da mulher começou a mudar? O início dessa mudança cultural coincide com as I e II Guerras Mundiais. Os homens foram para as frentes de batalha e as mulheres passaram a assumir os negócios da família e os cargos masculinos do mercado de trabalho, pois tinham que sustentar a casa e os filhos. A partir desse processo de relativa emancipação, muitas mulheres começaram a reivindicar novos campos de conquista nunca antes imaginados e iniciou-se uma verdadeira revolução na atuação da mulher na sociedade.

 

Outro fato que contribuiu para a evolução do processo de emancipação feminina foi a Revolução Industrial. Devido à demanda de mão de obra, abriram-se muitas vagas de emprego, admitindo mulheres, embora com salários mais baixos que os dos homens, e aqui iniciou-se um problema que vivenciamos até hoje, mas foi o pontapé para uma profunda transformação no mercado profissional.

 

A partir de lutas rotineiras, e muitas vezes silenciosas, a situação foi aos poucos mudando. As lutas pelo direito ao voto, de salário e direitos trabalhistas iguais foram se desenvolvendo durante o século XX, encontrando o auge com o movimento feminista na década de 60.

 

O advento da pílula anticoncepcional em 1960 permitiu uma libertação dos comportamentos sexuais antes restritos ao matrimônio. E assim, várias conquistas foram alcançadas, principalmente no que diz respeito às relações trabalhistas, políticas, empresariais e de liberdade sexual.

 

A conquista de salários levou as mulheres a conseguirem também independência e superação dessa subordinação à que estavam relegadas há séculos. Foi nos anos 1970 que, no Brasil, a mulher ingressou de maneira mais efetiva no mercado de trabalho, surgindo por fim os movimentos sindicais e feministas no país. Estamos falando de 50 anos de luta!

 

A atuação da mulher no mercado de trabalho, do nível braçal a cargos de liderança, é resultado de condições favoráveis que permitiram que a mulher estudasse, dessa forma atendendo à exigência de maior nível intelectual para ocupação desses cargos. A Tecnologia de Informação disponibiliza inúmeras oportunidades de estudo e conhecimento a custo zero.

 

A população feminina já representa mais da metade da população brasileira; sendo que, 60% estão economicamente ativas. Em números absolutos, estamos falando de mais de 60 milhões de mulheres que estão aptas a trabalhar e sustentar ou contribuir para o sustento de seus lares. Estamos a frente de mais de 10 milhões de empresas.

Esses dados seriam promissores, se não fosse por um fato: apenas uma pequena parcela dessas organizações consegue ser considerada de alto impacto. E por que isso acontece? Porque ainda permeiam as desigualdades entre os gêneros! Além das dificuldades de conseguirem investimentos mais expressivos, as mulheres também encontram outros obstáculos pelo caminho da ascensão dentro do mundo empresarial. Por mais que 70% dos líderes de negócios concordem que a diversidade de gênero melhora a performance da organização, o número de mulheres em cargos altos dentro de empresas cresceu apenas 5% nos últimos quatro anos.

Mas, para que esse sonho de reconhecimento e igualdade de gênero vire realidade, nós enfrentamos barreiras sociais e econômicas, fazendo com que o caminho para o sucesso seja ainda mais desafiador. A educação é um fator que, direta ou indiretamente, afeta as mulheres na hora de empreender. Para começar, em diversas partes do mundo, aproximadamente 60 milhões de mulheres são privadas do direito ao estudo, e é no ambiente escolar que desenvolvemos habilidades pessoais, muitas das quais são de extrema utilidade para empreender.

O sexismo, ou seja, a discriminação baseada nos estereótipos de gênero, é um fator que permeia a caminhada da mulher desde a contratação por uma empresa até a hora em que ela deseja abrir o próprio negócio.

Dados publicados recentemente pelo Sebrae mostram que a desvantagem para as empresárias também é significativa quando se trata de acesso a crédito e linhas de financiamento. As mulheres empresárias acessam um valor médio de empréstimos de aproximadamente R$ 13 mil a menos que a média liberada aos homens. Apesar do valor liberado ser menor, nós pagamos taxas de juros 3,5 pontos percentuais acima do sexo masculino. Nesse aspecto, nem os índices de inadimplência mais baixos, verificados entre as pagadoras do sexo feminino, foram suficientes para gerar uma redução dos juros.

É necessário refletirmos sobre as desigualdades que prevalecem entre os gêneros. Não há igualdade de salários, por exemplo, e perdura o preconceito contra a mulher no que diz respeito ao trabalho e ao desempenho nas mesmas funções profissionais exercidas por homens. Além disso, a mulher acumula também a tarefa de dona de casa, pois, mesmo tendo conquistado a oportunidade de trabalhar fora, o trabalho doméstico é culturalmente assimilado como nossa obrigação e não do homem.

 

O empreendedorismo representa uma importante alavanca para o empoderamento feminino, abrindo oportunidades para mulheres que viviam em situação de vulnerabilidade ou até de violência doméstica.

 

As desigualdades que prevalecem são muitas e só reduziram porque lá atrás mulheres tiveram a coragem de desafiar uma sociedade machista. E se hoje nós homenageadas estamos aqui, foi porque essas mulheres de rostos e nomes muitas vezes desconhecidos juntaram-se, mostraram seus rostos e tiveram a audácia de exigir mudanças! E não estou falando em colocar os seios pra fora e gritar no meio da rua! Nós não precisamos disso para sermos ouvidas. Como mulheres inteligentes e estudadas que somos, temos que nos unir em sociedade civil feminina organizada para buscar tais igualdades!

 

Tenho imenso orgulho em participar hoje da Associação Mulheres d’Negocios do Piauí. Criada informalmente a 6 anos atrás é hoje uma entidade organizada, respeitada e procurada pelos órgãos públicos do município e do estado para desenvolver políticas publicas voltadas as mulheres. O nosso trabalho começou informal, mas agora a nossa missão é fortalecer ainda mais as habilidades comportamentais e empresariais da mulher para garantir confiança e reduzir as desigualdades.

Quando uma mulher empreende e é dona do seu próprio dinheiro, ela vira dona de sua própria história.

Quando uma mulher é dona de sua própria história, ela tem mais chances de interromper ciclos de violência contra si e sua família.

Quando uma mulher empreende, ela reinveste em sua família, gera renda, impostos e trabalho, assim, toda a sociedade avança junto.

O ambiente que temos hoje pode não ser o mais propício para as mulheres que desejam empreender, mas uma notícia é boa: as mudanças necessárias para esse cenário podem começar com todos nós, dentro e fora de nossos lares e empresas. Mas, o cenário mudará mesmo quando os pais acreditarem e impulsionarem as filhas, quando os maridos estimularem as esposas, quando as esposas acreditarem nelas mesmas e nas outras mulheres e principalmente mudará quando os homens do poder, como nossos nobres vereadores, não só aceitarem a igualdade de gênero, mas praticarem ações efetivas para que isso aconteça!

Vamos praticar o feminismo! Não estou falando de femismo, que é o antônimo de machismo, estou falando em feminismo, que é simplesmente preconizar o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade.

Sejamos todos feministas, a sociedade só tem a ganhar!

Sejamos, nobres mulheres homenageadas, exemplo para outras mulheres!!!!

 

Kelly Gonçalves

Trechos do discurso na Câmara Municipal de Teresina-Piaui

Prêmio Mulher Destaque 2020.

 

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